Infraestrutura e construção esportiva

Normas de segurança para arquibancadas: o que os Bombeiros exigem

Lotação, saídas, assentos, visibilidade e arquibancada retrátil: o que cada estado cobra e como especificar.

Arena coberta com assentos azuis em dois níveis e arquibancadas retráteis abertas em volta do piso da quadra

As normas de segurança para arquibancadas são estaduais: cada Corpo de Bombeiros tem sua instrução técnica, e vários estados têm uma específica para centros esportivos e de exibição. Elas cobram lotação calculada, saídas dimensionadas, número máximo de assentos entre corredores, guarda-corpos e áreas acessíveis. O projeto soma a isso assento com proteção contra fogo, linhas de visão calculadas e, na arena multiuso, a arquibancada retrátil.

As normas de segurança para arquibancadas mudam de estado para estado, porque quem as escreve é o Corpo de Bombeiros de cada um. O que não muda é a lista de perguntas que o projeto precisa responder: quantas pessoas cabem, por onde elas saem, do que é feito o assento e se todo mundo enxerga o jogo. Este guia passa por cada uma, da arquibancada fixa de ginásio à retrátil de arena multiuso.

Neste guia · 6 seções
  1. Por que a arquibancada é tão regulada
  2. O que o Corpo de Bombeiros exige
  3. Do que é feito o assento
  4. Visibilidade e linhas de visão
  5. Arquibancada retrátil
  6. Como especificar em cinco passos

1. Por que a arquibancada é a parte mais regulada do ginásio

A quadra recebe dez ou doze atletas. A arquibancada recebe centenas ou milhares de pessoas que chegam juntas, saem juntas e, numa emergência, tentam sair ao mesmo tempo. É por isso que o projeto de público passa pelo Corpo de Bombeiros antes do alvará, e que um erro de corredor ou de escada pode fechar um ginásio pronto.

A demanda por assentos e arquibancadas retráteis cresceu no Brasil com o Pan do Rio, a Copa de 2014 e os Jogos Rio 2016, e com ela veio o cuidado com segurança, durabilidade e conforto no padrão que as arenas estrangeiras já seguiam. Hoje uma arena municipal é cobrada pelos mesmos critérios.

2. Normas de segurança para arquibancadas: o que o Corpo de Bombeiros exige

Não existe uma norma nacional única. Cada estado tem seu regulamento de segurança contra incêndio e suas instruções técnicas. Em São Paulo, quem aprova é o Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado (CBPMESP). Em vários estados há um documento próprio para centros esportivos e de exibição: no Pará é a Instrução Técnica 12, e em Goiás, a Norma Técnica 12. O projetista confere a edição vigente no estado da obra.

Esses documentos costumam tratar dos mesmos pontos. A tabela resume o que eles pedem e o que isso muda no desenho.

PontoO que se exigeO que muda no projeto
LotaçãoPopulação máxima calculada pela área ou pelo número de assentosDefine a largura das saídas e o número de escadas
Saídas e rotas de fugaLargura mínima, sinalização e iluminação de emergênciaPlantas dos andares compatibilizadas para a evacuação
Fileiras e corredoresNúmero máximo de assentos entre corredoresSetorização da arquibancada em blocos
Guarda-corpos e corrimãosAltura e resistência nas bordas e nas escadasEstrutura metálica dimensionada para empuxo de multidão
AcessibilidadeEspaço para cadeira de rodas e assento para pessoa com mobilidade reduzidaÁreas reservadas com visão do jogo, conforme a ABNT NBR 9050

A Instrução Técnica 12 do Pará, por exemplo, separa estádios, ginásios e arenas de arquibancadas e construções provisórias, e foca na população máxima e no dimensionamento das saídas. Arquibancada provisória de evento também passa pelos Bombeiros, com regra própria em boa parte dos estados.

3. Assentos esportivos: material, fogo e conforto

O assento é a peça que o torcedor toca, quebra e, às vezes, arranca. Fibra de vidro saiu de uso porque, quando quebra, vira lâmina. O padrão hoje é o polímero moldado, com aditivo retardante de chama e proteção contra os raios ultravioleta para não desbotar nem ressecar ao sol.

Segundo a página de infraestrutura esportiva da Recoma, os assentos que a empresa fornece têm duplo molde em polietileno de alta densidade (HDPE) com 4 mm de espessura, e a mesma página cita ensaios pelas normas BS 5852, de resistência à ignição, e EN 13200-4, a parte da norma europeia de instalações para espectadores dedicada aos assentos.

Arquibancada telescópica de assentos azuis rebatidos, aberta ao longo da lateral de uma arena coberta, com um trabalhador de pé ao lado e arquibancadas fixas coloridas ao fundo
Arquibancada telescópica aberta, com os assentos rebatidos. Foto publicada na página de infraestrutura esportiva da Recoma.

O assento auto-rebatível, que se fecha sozinho quando a pessoa levanta, libera a passagem entre as fileiras e ajuda na evacuação. Porta-copos e prancheta para imprensa são conforto e entram no projeto conforme o uso do setor.

4. Visibilidade: cada espectador precisa enxergar o jogo

Arquibancada existe para levar o público acima do nível da quadra. A inclinação de cada degrau é calculada para que a cabeça de quem está na frente não tape a linha de visão de quem está atrás até a área de jogo. Pilar, guarda-corpo alto ou telão mal posicionado estragam lugares que foram pagos.

O cálculo envolve a altura e a profundidade do degrau, a distância até a linha lateral e o esporte principal, porque a bola do vôlei sobe e a do futsal corre no chão. Em arena multiuso a conta é feita para o evento mais exigente: show com palco numa ponta pede ângulos diferentes de um jogo de basquete no centro.

Fileira de refletores prateados em primeiro plano, voltados para um estádio de atletismo com gramado, pista azul e arquibancadas coloridas, com o domo branco de um ginásio e prédios ao fundo
Refletores voltados para a pista e o campo de um estádio. Foto publicada na página de infraestrutura esportiva da Recoma.

Iluminação, placar e som fazem parte da visibilidade. Segundo a página de infraestrutura da Recoma, os sistemas de iluminação da empresa chegam a 2.300 lux no centro da área de competição, com estudo luminotécnico para posicionar postes e feixes, e a página lista o Conjunto Desportivo Constâncio Vaz Guimarães, no Ibirapuera, entre as referências.

5. Arquibancada retrátil: a arena que muda de formato

Arena multiuso vive de agenda cheia: jogo à noite, formatura no sábado, show no domingo. A arquibancada retrátil, também chamada telescópica, recolhe as fileiras umas sobre as outras e libera o piso para outro formato. Pode ser manual, elétrica com motores por bloco ou automatizada, com abertura e fechamento por controle remoto.

Segundo a página de infraestrutura da Recoma, a estrutura das arquibancadas que a empresa fornece é de aço Q235 galvanizado, os testes de desgaste indicam mais de 350.000 operações, e a carga acidental máxima é de 4,00 kN/m² na área dos assentos e 3,00 kN/m² nos corredores. A mesma página diz que os projetos executivos seguem as normas dos Bombeiros de cada estado e que a empresa tem o título de Equipment & Venue Center Technical Partner da FIBA. Faixa de preço da arquibancada retrátil: a confirmar (Q7).

Quando a arena já existe e o problema é capacidade ou estado de conservação, vale comparar reforma e obra nova, como mostra o guia sobre revitalizar ou construir.

6. Como especificar a arquibancada em cinco passos

  1. Estime o público pela demanda real da região: jogos, shows, eventos religiosos e escolares que o espaço vai receber.
  2. Leia a instrução técnica do estado antes do anteprojeto. Lotação e saídas definem a planta, e corrigir depois custa caro.
  3. Escolha entre fixa e retrátil pelo uso do piso. Se a quadra vira palco ou pista de evento, a retrátil paga a diferença.
  4. Especifique o assento com ensaio de fogo, proteção UV e mecanismo auto-rebatível nos setores de maior fluxo.
  5. Reserve as áreas acessíveis com visão do jogo, e não no canto que sobrou do desenho.

Outras estruturas que convivem com o público em centros olímpicos estão nos guias de equipamentos de ginástica olímpica e de velódromos.

Perguntas frequentes

Qual norma do Corpo de Bombeiros vale para arquibancada?

A do estado onde fica a obra. Cada Corpo de Bombeiros tem seu regulamento e suas instruções técnicas; no Pará e em Goiás, por exemplo, há um documento de número 12 para centros esportivos e de exibição. Em São Paulo, quem aprova é o CBPMESP.

Arquibancada provisória precisa de aprovação dos Bombeiros?

Sim. Arquibancada montada para evento é tratada como construção provisória e passa por vistoria antes de receber público, com regra própria em boa parte dos estados.

Por que não se usa mais assento de fibra de vidro?

Porque, quando quebra, o pedaço fica cortante. O padrão é o polímero moldado com retardante de chama e proteção UV; segundo a página de infraestrutura da Recoma, os assentos da empresa usam HDPE com 4 mm de espessura.

Quanto custa uma arquibancada retrátil?

Depende do número de fileiras e assentos, do acionamento (manual, elétrico ou automatizado) e da estrutura do ginásio. Faixa de preço: a confirmar (Q7). A engenharia da Recoma responde com o valor do seu projeto.

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Nome, cargo e foto de quem assina: a confirmar (Q2)

Referências

  • Corpo de Bombeiros Militar do Pará. Instrução Técnica 12, Parte I: centros esportivos e de exibição. Edição vigente a conferir.
  • Corpo de Bombeiros Militar de Goiás. Norma Técnica 12/2023: centros esportivos e de exibição.
  • Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo (CBPMESP). Regulamento de segurança contra incêndio e instruções técnicas. Edição vigente a conferir.
  • ABNT NBR 9050. Acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos.
  • EN 13200-4. Instalações para espectadores, parte 4: assentos.
  • BS 5852. Métodos de ensaio de ignição de assentos.
  • Recoma. Página de infraestrutura esportiva (arquibancadas, assentos, iluminação, Arena Carioca 1), lida em 21 out 2026.

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