Infraestrutura e construção esportiva

Ginástica artística e rítmica: os aparelhos e o que o ginásio precisa

Os aparelhos de cada modalidade pela FIG, as medidas que mexem na planta e o que muda da escola ao centro de alto rendimento.

Ginasta brasileira em salto com as pernas abertas durante a prova de solo dos Jogos Rio 2016, com a mesa de árbitros ao fundo

A ginástica artística usa oito aparelhos: solo, salto, cavalo com alças, argolas, paralelas simétricas e barra fixa no masculino; solo, salto, paralelas assimétricas e trave no feminino. A ginástica rítmica usa corda, arco, bola, maças e fita sobre um tablado de 13 × 13 m. Além dos aparelhos certificados pela FIG, o ginásio precisa de base para ancorar os cabos, colchões de queda, pé-direito e corredor de salto.

Quem vai montar um ginásio de ginástica artística costuma começar pela lista de aparelhos e descobrir, no meio do caminho, que o prédio pesa tanto quanto eles. Este guia junta as duas coisas: o que a Federação Internacional de Ginástica (FIG) pede de cada aparelho da GA e da GR e o que o espaço em volta precisa ter para o treino e a competição acontecerem.

Neste guia · 6 seções
  1. GA e GR: o que separa as duas
  2. Aparelhos da GA e medidas
  3. Aparelhos da GR e tablado
  4. O ginásio em volta dos aparelhos
  5. Da iniciação ao alto rendimento
  6. Como especificar em cinco passos

1. Ginástica artística e rítmica: o que separa as duas

"Ginástica olímpica" é o nome antigo, ainda muito usado no Brasil, para o que a FIG chama de ginástica artística. A GA reúne saltos, giros e apoios em aparelhos fixos, com provas diferentes para homens e mulheres. A ginástica rítmica (GR) é feminina nas competições oficiais e troca os aparelhos grandes por pequenos implementos que a ginasta manipula durante uma coreografia com música.

Para quem constrói, a diferença é física. A GA pede estrutura: aparelhos ancorados no piso, cabos tensionados, colchões de queda grossos e um corredor de salto comprido. A GR pede área livre e pé-direito, porque a ginasta lança arco, bola e maças para o alto e precisa de um tablado amplo sem obstáculo.

O trampolim, que o texto antigo deste blog punha dentro da GR, é uma disciplina à parte da FIG; o fosso de espuma é recurso de treino.

2. Quais são os aparelhos da ginástica artística e suas medidas

O programa masculino tem seis aparelhos e o feminino, quatro. Solo e salto são comuns aos dois. A tabela traz a medida que mais interessa a quem projeta o espaço, segundo as Normas de Aparelhos da FIG; as alturas são contadas do chão, antes dos colchões de queda.

AparelhoQuem disputaMedida principal (Normas de Aparelhos da FIG)
SoloHomens e mulheresÁrea de 12 × 12 m, com faixa de segurança de 1 m em volta
SaltoHomens e mulheresMesa a 1,35 m (masculino) e 1,25 m (feminino); corredor de 25 m
Cavalo com alçasHomensCorpo do cavalo a 1,15 m do chão
ArgolasHomensArgolas a 2,90 m do chão, presas a um pórtico com cabos
Paralelas simétricasHomensBarras de 3,50 m, a 2 m do chão
Barra fixaHomensBarra de 2,40 m, a 2,80 m do chão, estaiada no piso
Paralelas assimétricasMulheresBarra alta a 2,55 m e barra baixa a 1,75 m do chão
Trave de equilíbrioMulheresTrave de 5 m de comprimento, a 1,25 m do chão

Alguns detalhes mudam a obra. Segundo a norma da FIG, a trave tem 10 cm de largura e as argolas, 18 cm de diâmetro interno; são medidas do aparelho, que chega pronto do fabricante. O que fica com a obra são os pontos de ancoragem: argolas, barra fixa e paralelas assimétricas puxam cabos presos ao piso, e esse piso precisa de chumbadores no lugar certo e de laje que aguente a carga.

No solo, a prova dura até 70 segundos para os homens e até 90 segundos para as mulheres, que se apresentam com música. O praticável, a plataforma com molas ou blocos elásticos sob o carpete, ocupa a área inteira e precisa de piso nivelado embaixo. No salto, o corredor de 25 m, conforme a norma, costuma ser a medida que mais aperta a planta de um ginásio pequeno.

Nas barras e nas argolas, os ginastas usam protetores de mão de couro e passam carbonato de magnésio para secar o suor e firmar a pegada. O pó fica no ar, e o ginásio precisa de ventilação e limpeza frequente.

3. Os aparelhos da ginástica rítmica e o tablado

Na GR, os aparelhos são cinco: corda, arco, bola, maças e fita. A nota depende de como a ginasta manipula o implemento, que precisa ficar em movimento durante toda a série. O Código de Pontos de cada ciclo define quais aparelhos entram em cada competição, por isso o calendário muda de um ano para outro.

Pelo regulamento da FIG, a área de competição da GR é um tablado de 13 × 13 m, coberto por carpete e sem molas, diferente do praticável da GA. Em volta, a regra pede área livre e, acima, altura suficiente para os lançamentos. Um ginásio que recebe as duas modalidades precisa de espaço para o praticável de 12 × 12 m e para o tablado de 13 × 13 m, ou de uma rotina para trocar um pelo outro entre as provas.

4. O ginásio em volta dos aparelhos: piso, colchões, fosso e altura

Aparelho certificado em prédio errado não funciona. Antes de comprar o set, quatro pontos do ginásio precisam estar resolvidos.

Piso e base

Os aparelhos da GA se apoiam no piso e, em parte, se prendem a ele. A base precisa ser nivelada, seca e capaz de receber os chumbadores dos cabos de argolas, barra fixa e paralelas assimétricas. Em volta, a área de treino de chão e de aquecimento ganha mais com um piso que amorteça o impacto; o guia de pisos para academia e salas de ginástica compara as opções.

Colchões e fosso de espuma

Cada aparelho tem a sua zona de queda, com colchões cuja espessura e área as normas da FIG definem. No treino, o fosso de espuma, um poço cheio de blocos macios, deixa o ginasta aprender um elemento novo caindo no fofo. Ele é cavado no piso ou montado acima dele, e essa decisão precisa ser tomada no projeto, antes da laje.

Pé-direito e iluminação

A barra fixa fica a 2,80 m do chão e as argolas, a 2,90 m, segundo a norma, e o ginasta sobe bem acima disso nas saídas. Na GR, os lançamentos pedem ainda mais altura. A iluminação não pode ofuscar quem gira de costas para o teto, e por isso luminária baixa ou apontada para baixo sobre os aparelhos atrapalha.

Público

Ginásio que recebe competição precisa de arquibancada e de rota de fuga aprovada pelo Corpo de Bombeiros. A arquibancada retrátil libera a quadra quando não há evento; o guia sobre normas dos Bombeiros e arquibancadas de arenas multiuso explica o que se exige.

Fosso de queda revestido de lona azul, cercado por colchões azuis, num ginásio de piso de madeira com tablado elevado e arquibancada de cadeiras ao fundo
Fosso de queda cercado de colchões num ginásio de ginástica, na foto da página de infraestrutura esportiva da Recoma.

5. Da iniciação ao alto rendimento: o que cada centro precisa

A ginástica entra em escola, clube, projeto social e centro de treinamento, e cada um pede um conjunto diferente. A tabela ajuda a dimensionar a compra.

NívelO que costuma terO que decide
Iniciação (escola e projeto social)Colchões, trave baixa, plinto, trampolim de salto, faixa de soloÁrea livre e segurança na queda; aparelho certificado é desejável, mas não obrigatório
Formação (clube)Aparelhos oficiais de treino, fosso de espuma, pista acrobáticaPé-direito, ancoragem no piso e espaço para o corredor de salto
Alto rendimento e competiçãoSet completo de GA e GR certificado pela FIG, praticável e tablado oficiaisCertificação dos aparelhos, área de aquecimento e arquibancada

Em maio de 2025, segundo reportagem do ge Paraná, Arthur Zanetti, embaixador da Recoma, visitou um ginasta de 12 anos no Centro de Excelência de Ginástica do Paraná, em Curitiba, e acompanhou o treino nas argolas, o aparelho em que ganhou o ouro em Londres 2012 e a prata no Rio 2016, como lembra a página institucional da empresa. Centro de formação treina nos mesmos aparelhos da competição, cercados de colchões.

Arthur Zanetti, de camiseta azul da Recoma, conversa com um menino ginasta sentado sobre colchões de queda azuis, com aparelhos e tablado azul ao fundo
Arthur Zanetti na visita ao Centro de Excelência de Ginástica do Paraná, em Curitiba, em 2025.

6. Como especificar o ginásio de ginástica em cinco passos

  1. Defina as modalidades e o nível. GA masculina, feminina, GR ou as três; iniciação, formação ou competição.
  2. Confira a planta. Cabem o praticável com a faixa de segurança, o corredor de salto e o tablado da GR? Se não cabem, a escolha dos aparelhos muda.
  3. Resolva a base antes. Laje, nivelamento, chumbadores dos cabos e, se houver fosso, a escavação.
  4. Peça a certificação. Para competição oficial, cada aparelho precisa ser certificado pela FIG; peça o certificado do modelo, não só do fabricante.
  5. Pense no uso diário. Ventilação para o magnésio, guarda dos implementos, troca de colchões e quem vai cuidar disso.

Na página de infraestrutura esportiva, a Recoma informa que oferece equipamentos de GA e de GR, pista acrobática para trampolim e fosso de espuma, certificados pela FIG. Quais aparelhos ela entrega avulsos e quais só em set: a confirmar (Q5). Prazo e preço de um set completo: a confirmar (Q7).

Para adaptar um ginásio existente, veja o guia de revitalização esportiva; para vila olímpica com natação, o da piscina olímpica.

Perguntas frequentes

Quais são os aparelhos da ginástica artística?

No masculino, seis: solo, salto, cavalo com alças, argolas, paralelas simétricas e barra fixa. No feminino, quatro: salto, paralelas assimétricas, trave e solo. A lista e as medidas estão nas normas da FIG.

Qual é a diferença entre GA e GR?

A GA usa aparelhos fixos e tem provas masculinas e femininas. A GR é feminina nas competições oficiais e usa corda, arco, bola, maças e fita, com música, sobre um tablado sem molas.

Qual o tamanho do solo da ginástica artística?

Segundo as normas da FIG, a área de exercício tem 12 × 12 m, com uma faixa de segurança de 1 m em volta. Na GR, o tablado tem 13 × 13 m.

Os equipamentos de ginástica precisam ser certificados?

Para competição oficial, sim: cada aparelho precisa da certificação da FIG para o modelo. Para iniciação em escola e projeto social, a certificação é desejável, e a segurança da queda é o que mais pesa.

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Referências

  • FIG. Apparatus Norms, partes I a III, edição 2026, em vigor desde 01/06/2026 (ginástica artística e rítmica). Conferido em 21/10/2026.
  • FIG. Códigos de Pontos 2025-2028 da ginástica artística masculina (solo de até 70 s) e da ginástica rítmica (aparelhos); solo feminino de até 90 s conferido no resumo do código 2025-2028 da British Gymnastics. Conferido em 21/10/2026.
  • ge Paraná. Futuro rei das argolas: jovem ginasta é surpreendido com visita e dicas do ídolo Arthur Zanetti, 15 mai 2025.
  • Recoma. Página de infraestrutura esportiva (equipamentos para ginástica olímpica; arquibancada da Arena Carioca 1), lida em 21 out 2026.
  • Recoma. Página Sobre nós (embaixadores olímpicos), lida em 21 out 2026.

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