Pistas de atletismo

Formação de atletas: o papel dos clubes e a estrutura de treino

Quanto os clubes pesam na formação de atletas no Brasil, como outros países fazem e o que um clube precisa decidir antes de investir em pista, quadra ou campo.

Velocista de uniforme azul apoia as mãos na pista azul e os pés no bloco de partida, num estádio vazio

A formação de atletas no Brasil depende dos clubes sociais e esportivos: na Rio 2016, segundo o COB, 390 dos 465 atletas brasileiros eram filiados a clubes. O clube recebe o atleta cedo e carrega a base até o alto rendimento, e por isso a estrutura de treino pesa tanto. Piso com amortecimento, pista certificada e campo drenado reduzem lesão e preparam o atleta para a superfície da competição.

A formação de atletas no Brasil passa, quase sempre, por um clube. É no clube social e esportivo que a criança encontra a primeira quadra, o primeiro técnico e, se tudo der certo, o caminho até uma seleção. Este guia mostra o peso dos clubes nessa formação, como outros países organizam a mesma tarefa e o que um clube precisa decidir antes de investir na estrutura de treino.

Neste guia · 5 seções
  1. Quem forma o atleta no Brasil
  2. Como outros países formam
  3. Por que a estrutura pesa
  4. O que cada modalidade pede
  5. Como investir em etapas

1. Quem faz a formação de atletas no Brasil

O modelo brasileiro se apoia em três portas de entrada: o clube, a escola e, para quem já chegou ao alto rendimento, as Forças Armadas. Das três, o clube é a mais antiga e a que recebe o atleta mais cedo. A escola ensina o esporte, mas raramente tem equipe de competição; a carreira militar só aparece depois que o atleta já tem resultado.

Os números da Rio 2016 mostram o tamanho dessa base. Segundo relatório do Comitê Olímpico Brasileiro citado pelo blog da Recoma em 2021, 390 dos 465 atletas da delegação brasileira eram filiados a clubes, e 17 dos 19 pódios do país vieram de atletas de clube. No mesmo ciclo, segundo o Ministério da Defesa, 145 militares disputaram os Jogos e somaram 13 das 19 medalhas.

Os dois números se sobrepõem, e isso diz muito. Boa parte dos atletas militares continua treinando no clube que o formou: o Programa Atletas de Alto Rendimento, criado em 2008 pelas Forças Armadas, dá salário e estrutura a quem já é atleta de ponta, mas a base que o levou até ali, na maioria dos casos, foi um clube.

Jovem atleta de tênis branco com cadarço laranja em posição de largada, com as mãos sobre a linha branca de uma pista sintética vermelha
A largada numa pista sintética: a primeira estrutura de treino de muitos atletas de clube. Imagem ilustrativa.

O texto que a Recoma publicou em fevereiro de 2025 registra que os clubes formaram seis dos sete medalhistas de ouro do Brasil na campanha olímpica mais bem-sucedida do país. Quem organiza esse setor é o Comitê Brasileiro de Clubes, com a Fenaclubes como representação institucional, e é por esses canais que boa parte dos recursos públicos de formação chega aos clubes.

2. Como outros países organizam a formação

Comparar modelos ajuda o dirigente a entender o que o clube brasileiro faz sozinho. A tabela resume os três caminhos mais citados:

PaísOnde o atleta se formaQuem financia a estruturaO que ensina ao clube brasileiro
Estados UnidosEscola e universidade, com ligas escolares e a NCAAAs próprias instituições de ensino, com bolsa ao atletaInstalação de treino junto ao estudo segura o atleta jovem no esporte
Grã-BretanhaClubes, com um programa nacional de alto rendimento por cimaRecursos públicos e da loteria, distribuídos por metasPlanejamento por ciclo olímpico e verba ligada a resultado
BrasilClubes sociais e esportivos, com apoio militar no topoAssociados, patrocínio, leis de incentivo e recursos de loteria via CBCO clube carrega a base e precisa planejar a própria estrutura

Nos Estados Unidos, o atleta passa pela escola e pela universidade antes de virar profissional, e as ligas, como a NBA e a NFL, recrutam pelo draft quem se destacou no esporte universitário. A estrutura de treino está dentro da instituição de ensino, o que no Brasil é exceção.

Jogador de basquete salta para enterrar a bola numa quadra externa cercada por alambrado, com prédios de uma cidade ao fundo
Quadra pública de basquete: nos Estados Unidos, a formação segue da rua para a escola e a universidade. Imagem ilustrativa.

O caso britânico é o mais próximo do nosso, porque também parte de clubes. A diferença foi o planejamento: depois de terminar os Jogos de Atlanta 1996 em 36º lugar no quadro de medalhas, a Grã-Bretanha passou a financiar o alto rendimento com recursos da loteria nacional, por metas de cada ciclo, e chegou ao 2º lugar na Rio 2016, segundo os resultados oficiais do Comitê Olímpico Internacional.

3. Por que a estrutura de treino pesa na formação

Técnico bom forma atleta em quadra ruim por um tempo. Depois, a quadra cobra. Um piso sem amortecimento devolve ao joelho e à coluna o impacto de cada salto; um gramado irregular torce tornozelo; uma pista de cimento não prepara o velocista para o piso sintético em que ele vai competir.

Três razões fazem a estrutura entrar na conta da formação. A primeira é a lesão: o atleta jovem treina muitas horas por semana, e o piso certo reduz a carga sobre as articulações. A segunda é a transferência: quem treina na superfície da competição chega ao torneio sem estranhar o quique da bola ou a resposta da pista. A terceira é a permanência: criança que treina num espaço bem cuidado fica mais tempo no esporte, e é esse tempo que separa o praticante do atleta.

Há também o efeito sobre o próprio clube. Estrutura homologada permite receber competição oficial, o que traz federação, público e patrocínio para dentro de casa.

4. O que cada modalidade pede do clube formador

A estrutura certa começa pela modalidade que o clube quer levar à competição. A tabela reúne o essencial das três mais comuns nos clubes formadores:

ModalidadeEstrutura de treinoO que pedir ao fornecedor
AtletismoPista sintética de 400 m, com área de saltos e lançamentosCertificação World Athletics: Classe 1 para competição internacional de topo, Classe 2 para as demais provas oficiais
Vôlei, basquete, handebol e futsalGinásio coberto com piso de madeira flutuante, poliuretano ou vinílicoLaudo de absorção de impacto por norma, como a EN 14904 ou a DIN 18032-2
FutebolCampo de grama natural ou sintética, com drenagemNível do FIFA Quality Programme e horas de uso por semana que o sistema aguenta

Para o atletismo, a página de pistas de atletismo da Recoma descreve as três tecnologias certificadas pela World Athletics (moldada in-loco, pré-fabricada e híbrida) e uma quarta opção para pista de corrida e caminhada não oficial, de menor custo, que atende o condicionamento mas não recebe prova oficial. Como cada tecnologia é montada e o que a certificação mede estão no guia da pista oficial de atletismo.

Linha de chegada de uma pista de atletismo vermelha, com as raias numeradas de 1 a 8 pintadas em branco
Raias numeradas de uma pista sintética de oito raias. Imagem ilustrativa.

Nos ginásios, o blog da Recoma registra que o Recomaflex Premium, piso de madeira flutuante da empresa, é certificado por laboratórios internacionais e pela norma alemã DIN 18032, e que está no Centro Paralímpico Brasileiro e no Centro de Formação Olímpica do Nordeste.

5. Como o clube pode investir na estrutura, passo a passo

Poucos clubes conseguem refazer tudo de uma vez. A ordem abaixo evita gastar duas vezes:

  1. Escolha a modalidade-alvo. A que tem mais atletas em competição, ou a que o clube quer levar a um nível acima, define a primeira obra.
  2. Defina o nível de uso. Aula e lazer, treino de equipe ou competição oficial. Só a competição exige produto e instalação homologados.
  3. Avalie a base existente. Contrapiso trincado, sem caimento ou úmido precisa ser refeito antes do piso; no atletismo, o guia de base para pistas de atletismo compara concreto e asfalto.
  4. Peça laudo e ficha técnica. Certificado do produto, relatório da instalação e espessura de cada camada, por escrito.
  5. Busque a fonte de recurso. Recursos de loteria repassados pelo CBC, a Lei de Incentivo ao Esporte e o patrocínio de associados financiam parte das obras; o que cada edital cobre muda a cada chamada.
  6. Coloque a manutenção no orçamento. Uma estrutura sem manutenção perde o desempenho que o laudo mediu no dia da entrega. Intervalo por sistema: a confirmar (Q6)

Faixa de preço por tipo de estrutura: a confirmar (Q7). Enquanto ela não é publicada, a engenharia da Recoma responde com o valor da sua obra pelo WhatsApp, no fim desta página.

A história de como as pistas trocaram a terra e a cinza pelo piso sintético, e o que isso ensina a quem especifica, está no guia da evolução das pistas de atletismo.

Perguntas frequentes

Qual a importância dos clubes na formação de atletas?

São a principal porta de entrada do esporte de competição no Brasil. Segundo o COB, na Rio 2016, 390 dos 465 atletas da delegação eram filiados a clubes, e 17 dos 19 pódios vieram deles.

Qual estrutura um clube precisa para formar atletas de atletismo?

Uma pista sintética de 400 m com áreas de saltos e lançamentos. Para receber prova oficial, produto e instalação precisam de certificação World Athletics, Classe 1 ou Classe 2; para condicionamento, uma pista de corrida não oficial custa menos.

Como um clube pode financiar a reforma da estrutura esportiva?

Com recursos próprios e de associados, patrocínio, projetos pela Lei de Incentivo ao Esporte e editais do Comitê Brasileiro de Clubes, que repassa recursos de loteria. O que cada edital cobre muda a cada chamada.

O que é o Programa Atletas de Alto Rendimento?

É o programa das Forças Armadas, criado em 2008, que incorpora atletas de ponta e lhes dá salário e estrutura de treino. Segundo o Ministério da Defesa, os militares somaram 13 das 19 medalhas do Brasil na Rio 2016.

Vai orçar uma pista? Fale com a engenharia

Diga se a pista é oficial ou de lazer, o número de raias e a base que já existe. A equipe técnica indica a tecnologia e responde com a proposta.

Aplicação do revestimento vermelho numa pista de atletismo em obra
Equipe técnica da Recoma

Nome, cargo e foto de quem assina: a confirmar (Q2)

Referências

  • Comitê Olímpico do Brasil. Relatório sobre a delegação da Rio 2016 (atletas filiados a clubes e pódios), citado no blog da Recoma em jun 2021.
  • Ministério da Defesa. Programa Atletas de Alto Rendimento (PAAR), criado em 2008, e balanço da participação militar na Rio 2016.
  • Comitê Olímpico Internacional. Quadros de medalhas oficiais de Atlanta 1996 e Rio 2016 (posição da Grã-Bretanha).
  • UK Sport. Financiamento do alto rendimento com recursos da National Lottery. Referência a conferir.
  • NCAA. Organização do esporte universitário nos Estados Unidos.
  • Comitê Brasileiro de Clubes (CBC). Editais de formação de atletas com recursos de loteria. Edição vigente a conferir.
  • Brasil. Lei nº 11.438/2006 (Lei de Incentivo ao Esporte).
  • World Athletics. Certification System Procedures, maio de 2023 (certificação de produto e de instalação, Classe 1 e Classe 2). Conferido em 21/10/2026.
  • EN 14904 e DIN 18032-2. Normas de desempenho de pisos esportivos internos.
  • Recoma. Página de pistas de atletismo (tecnologias certificadas e pista de corrida não oficial), lida em 21 out 2026.
  • Recoma. Blog: texto de fevereiro de 2025 sobre formação de atletas e clubes (Ginásio Togo Soares, Recomaflex Premium).
  • Recoma. Blog: texto de março de 2024 sobre a pista da Escola Superior de Educação Física da Polícia Militar de SP.

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