Pistas de atletismo

Base para pista de atletismo: concreto ou asfalto, o que muda

Terraplenagem, drenagem e contrapiso: o que precisa estar pronto antes do revestimento sintético e como escolher entre concreto e asfalto.

Saída de uma pista de atletismo sintética vermelha com as raias 1 a 4 numeradas e o gramado ao fundo

Concreto e asfalto servem de base para pista de atletismo, mas não se comportam igual. O concreto armado é rígido e pede solo estável, sem aterro, e juntas bem planejadas. O asfalto CBUQ é contínuo e rápido de executar, mas só vai bem onde não há umidade subindo do solo. Antes dos dois vêm compactação, caimento de até 1% para dentro e drenagem dimensionada pela chuva da região.

A base para pista de atletismo é o que fica entre o solo e o revestimento sintético, e é ela que decide se a pista vai continuar plana, seca e sem trincas daqui a dez anos. Este guia trata só dessa parte da obra: o preparo do terreno, a drenagem e a escolha entre contrapiso de concreto e de asfalto.

Neste guia · 6 seções
  1. Por que a base decide
  2. Terreno, compactação e caimento
  3. Drenagem da pista
  4. Concreto ou asfalto
  5. Como escolher na sua obra
  6. Reforma de pista antiga

1. Por que a base para pista de atletismo decide a vida do piso

O revestimento de uma pista tem 13 mm de espessura, segundo a ficha técnica da Recoma para as três tecnologias certificadas. Uma camada tão fina copia o que existe embaixo dela. Se o contrapiso afunda num canto, a raia afunda junto; se ele trinca, a trinca aparece na superfície algumas estações depois.

Por isso o texto técnico que a Recoma publicou em 2021 abre com a frase de que a qualidade de nenhuma pista é melhor que a da sua base. Segurança, regularidade da corrida e durabilidade dependem dela tanto quanto da borracha que o atleta pisa.

A certificação também passa por aqui. As regras técnicas da World Athletics limitam a inclinação lateral a 1 por 100 e a inclinação no sentido da corrida a 1 por 1.000. O sintético não corrige esses números: a base já precisa sair da obra dentro deles. As três tecnologias de revestimento e as classes de certificação estão no guia completo da pista oficial de atletismo.

2. O que vem antes do contrapiso: terreno, compactação e caimento

Concreto e asfalto só entram depois de quatro etapas. O texto técnico da Recoma as descreve nesta ordem:

  1. Locação da pista no terreno, com o desenho das retas e das curvas.
  2. Remoção da camada vegetal e levantamento topográfico.
  3. Terraplenagem, já com o caimento que a pista final vai ter.
  4. Compactação do solo a 95% do Proctor Normal, segundo o mesmo texto, conferida em ensaio.

O caimento nasce na terraplenagem. Segundo a Recoma, a pista cai 1% do perímetro externo para o interno, e a World Athletics aceita no máximo 1 por 100 nesse sentido. Acertar essa inclinação no solo sai mais barato do que tentar compensá-la com espessura de concreto ou de asfalto.

Aterro pede atenção redobrada. Solo trazido de fora e mal compactado continua assentando por anos, e o recalque aparece na base como afundamento ou trinca. É o ponto em que a escolha entre concreto e asfalto começa a ser feita, antes mesmo de se falar em pavimento.

3. Drenagem: para onde vai a água da chuva

Uma pista oficial é uma área grande e impermeável. Segundo o texto da Recoma de 2021, a superfície no padrão oficial passa de 6.275 m², e toda a chuva que cai nela escorre para o lado de dentro, puxada pelo caimento.

Ali, no perímetro interno, ficam as canaletas. Segundo a Recoma, elas são dimensionadas pelo histórico de chuvas da região e ligadas aos drenos do campo central, que podem seguir o desenho em espinha de peixe. Canaleta subdimensionada transborda na raia 1 na primeira chuva forte, e água parada sobre o sintético vira sujeira, limo e desgaste.

A água que vem de fora também conta. Terreno mais alto ao redor da pista manda enxurrada para o perímetro externo, e é essa água que ataca o contrapiso pela borda e por baixo. O projeto precisa de uma barreira ou de uma calha desse lado antes de pensar no revestimento.

Vista aérea de uma pista de atletismo azul com gramado no centro, caixas de areia de salto, árvores em volta e prédios da cidade ao fundo
Pista azul com o campo central: a água das raias corre para o lado do gramado. Foto da página de pistas de atletismo da Recoma.

4. Concreto ou asfalto na base para pista de atletismo: o que muda

Para o revestimento, os dois servem. Segundo a página de produto da Recoma, as pistas moldadas in-loco, pré-fabricadas e híbridas são aplicadas sobre contrapiso de concreto ou de asfalto. A diferença está no comportamento de cada base ao longo dos anos e nas condições do terreno que cada uma tolera.

CritérioConcreto armadoAsfalto (CBUQ)
Tipo de pavimentoRígido: distribui a carga numa placaFlexível: acompanha o que o solo faz embaixo
Solo que pedeEstável, compactado, sem aterro que possa ceder, segundo a RecomaFirme e seco; sente mais os esforços do solo, segundo a Recoma
UmidadePede ambiente sem excesso de água escorrendo pelo perímetro externoSó sem umidade subindo do solo, segundo a Recoma
JuntasJuntas de dilatação em pontos planejados do percursoSuperfície contínua, sem juntas
Como se executaRégua vibratória, acabadora de pás giratórias e fibra no traçoConcreto betuminoso usinado a quente, espalhado e compactado
Ponto de atençãoTrinca de recalque ou de retração aparece no sintéticoDeformação e bolhas quando há água por baixo

Contrapiso de concreto

O texto técnico da Recoma recomenda o concreto armado em terreno estável, com o solo compactado a 95% do Proctor Normal e sem aterro que possa ceder com o tempo. Nessas condições ele entrega a superfície mais regular: o nivelamento é feito com régua vibratória, o acabamento com acabadora de pás giratórias, e a fibra misturada ao concreto aumenta a resistência a fissuras.

A contrapartida está nas juntas. Placa de concreto se movimenta com a temperatura e, sem junta, trinca onde quer. As juntas precisam ser planejadas no projeto e tratadas antes do revestimento, para não marcarem a superfície da pista.

Contrapiso de asfalto (CBUQ)

O CBUQ, concreto betuminoso usinado a quente, é a base que a Recoma aponta como a melhor escolha em regiões e terrenos sem umidade ascendente. Como ele é flexível, a umidade e os movimentos do solo chegam até a superfície com mais facilidade, e a água presa sob a resina acaba formando bolhas.

Onde existe usina de asfalto por perto e o terreno é seco, a execução costuma ser rápida e a superfície sai contínua. O revestimento só entra com o asfalto pronto para recebê-lo; o prazo de espera é dado pelo fabricante do sintético.

Vista de drone de uma pista de atletismo vermelha em volta de um campo de futebol, cercada por prédios, com o mar e morros ao fundo
Pista moldada in-loco vista do alto: o revestimento é fino e copia a base que está embaixo. Foto da página de pistas de atletismo da Recoma.

5. Como escolher entre os dois na sua obra

A pergunta do título tem resposta curta: não, concreto e asfalto não dão no mesmo. O que define a escolha é o lugar da obra. O texto da Recoma lista os critérios, que viram estas perguntas para o projeto:

  • Há usina de asfalto, concreteira e equipamento disponíveis perto da obra?
  • Caminhão e máquina chegam até a pista sem rodar sobre o que já foi feito?
  • O solo é natural e firme, ou há aterro recente?
  • Existe sinal de umidade subindo do solo, como lençol alto ou área de várzea?
  • A tecnologia de revestimento escolhida é compatível com a base prevista?

Terreno com aterro e lençol alto pede estudo de solo antes de qualquer decisão. Terreno seco com usina perto puxa para o asfalto. Solo estável com controle de água no perímetro favorece o concreto. A própria Recoma recomenda que a base seja executada, ou ao menos supervisionada, por quem já fez pistas dentro dos padrões da World Athletics.

6. Reforma: dá para aproveitar a base de uma pista antiga?

Muitas obras de pista começam com uma pista que já existe. Antes de orçar o revestimento novo, vale avaliar o que está embaixo: trincas que voltam no mesmo lugar, poças depois da chuva, afundamentos e bolhas indicam problema de base ou de drenagem.

Nesses casos, trocar só o sintético repete o defeito. A moldada in-loco e a híbrida aceitam re-topping, a recomposição da camada superior, segundo a página de produto da Recoma, mas o re-topping cuida do desgaste da superfície e não conserta a base. Quando a base está boa, a reforma fica no revestimento; quando não está, a obra volta ao contrapiso e, às vezes, à drenagem.

Para comparar as tecnologias que vão sobre a base, a página de pistas de atletismo da Recoma traz a composição de cada uma. Como os pisos chegaram até aqui está no guia de história e evolução dos pisos para pistas de atletismo.

Perguntas frequentes

Qual é melhor para base de pista de atletismo, concreto ou asfalto?

Depende do terreno. Segundo o texto técnico da Recoma, o concreto armado pede solo estável e sem aterro; o asfalto CBUQ é a melhor escolha onde não há umidade subindo do solo. A disponibilidade de usina e de concreteira perto da obra também pesa.

Pista pré-fabricada pode ser colada sobre asfalto?

Sim. Segundo a página de produto da Recoma, as mantas pré-fabricadas são fixadas ao contrapiso de concreto ou de asfalto com adesivo de poliuretano. O mesmo vale para a moldada in-loco e a híbrida.

Qual deve ser o caimento da base da pista?

As regras técnicas da World Athletics admitem até 1 por 100 de inclinação lateral, caindo para a borda interna, e até 1 por 1.000 no sentido da corrida. O caimento é feito na terraplenagem e conferido no contrapiso.

Dá para trocar só o piso sintético de uma pista antiga?

Só se a base estiver boa. Trincas recorrentes, poças e bolhas indicam problema de base ou de drenagem, que o revestimento novo não resolve. A avaliação da base vem antes do orçamento do sintético.

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Aplicação do revestimento vermelho numa pista de atletismo em obra
Equipe técnica da Recoma

Nome, cargo e foto de quem assina: a confirmar (Q2)

Referências

  • World Athletics. Competition and Technical Rules, edição 2026, TR 14.5 (inclinações lateral e no sentido da corrida). Conferido em 21/10/2026.
  • World Athletics. Track and Field Facilities Manual, edição 2019 (capítulos 1 a 3) e edição 2008 (capítulos 4 a 8), as listadas na página de documentos técnicos da entidade em 21/10/2026.
  • Recoma. Base para pistas de atletismo: concreto ou asfalto? É tudo igual? Blog, fevereiro de 2021.
  • Recoma. A importância do piso oficial no mundo do esporte. Blog, março de 2024.
  • Recoma. Pistas de atletismo Recoma certificadas. Blog, fevereiro de 2025.
  • Recoma. Página de pistas de atletismo (tecnologias e contrapiso de concreto ou asfalto), lida em 21 out 2026.

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