
O tatame muda conforme a luta. Nas lutas em pé, como taekwondo e karatê, o piso é mais fino, firme e antiderrapante; nas de solo, como judô, wrestling e jiu-jitsu, é mais espesso e liso, para amortecer a queda sem ralar a pele. O preço do tatame acompanha essa escolha: modalidade, certificação, material, área e base existente.
Quem pede orçamento de tatame quase sempre começa pelo preço, mas a primeira pergunta da obra é outra: as lutas daquele espaço acontecem em pé ou no chão? A resposta muda o material, a espessura, a base e, por consequência, o preço do tatame. Este guia junta o que a Recoma publicou sobre o assunto e o que a página de produto dela informa hoje, modalidade por modalidade.
Neste guia · 8 seções
1. Luta em pé ou no solo: o que muda no piso
Posição ortostática é a postura de pé. Nas lutas em que ela predomina, como taekwondo, karatê e boxe, o atleta passa o combate inteiro apoiado nos pés: gira, salta, troca de base e golpeia. A queda acontece, mas é exceção. O piso precisa segurar o pé no lugar e devolver firmeza a cada passada.
Nas lutas de solo, como judô, wrestling e jiu-jitsu, a queda faz parte da regra. O judoca projeta o adversário, o wrestler derruba e domina, o jiujiteiro passa a maior parte do tempo deitado ou ajoelhado. Aqui o piso trabalha como colchão: absorve o impacto do corpo inteiro e não pode ralar a pele no atrito.
Essas duas exigências puxam a especificação para lados opostos. A tabela resume o contraste:
| Critério | Lutas em pé | Lutas de solo | Lutas mistas (MMA) |
|---|---|---|---|
| Exemplos | Taekwondo, karatê, boxe, kung fu | Judô, wrestling, jiu-jitsu | MMA |
| O que o piso precisa fazer | Firmar o pé no giro, no salto e na troca de base | Amortecer a queda do corpo inteiro, várias vezes por treino | As duas coisas, dentro de uma área cercada |
| Espessura | Menor | Maior | Definida pelo fabricante do octógono |
| Superfície | Textura antiderrapante | Lisa e não abrasiva, para não queimar a pele | Lona sobre plataforma elevada |
| Formato usual | Placas de encaixe tipo quebra-cabeça ou rolos; ringue elevado no boxe | Placas grandes de encaixe simples ou manta inteira | Gaiola octogonal elevada |
Num espaço que recebe as duas famílias, a escolha errada aparece rápido. Tatame grosso e macio demais faz o taekwondista perder estabilidade no chute; tatame fino e duro castiga o judoca na primeira sessão de quedas. Por isso academias e centros de treinamento com várias modalidades costumam separar áreas ou trocar o piso conforme a aula.
2. Lutas em pé: taekwondo, karatê e boxe
No taekwondo e no karatê o objetivo é acertar golpes em zonas do corpo que valem ponto, sem precisar derrubar o adversário. O atleta precisa de aderência para girar sobre a planta do pé e de uma base que não afunde no momento do chute. O amortecimento entra para a queda eventual, não como função principal.
O texto antigo deste blog falava em tatame de EVA para essas modalidades. A página de produto atual da Recoma descreve outra coisa: segundo ela, o tatame olímpico de taekwondo é de espuma de polietileno reticulado (XPE) de alta densidade, e o de karatê também é de XPE, moldado por termoformagem e isento de EVA. A diferença importa para quem vai comprar, porque EVA comum e XPE de alta densidade se comportam de forma diferente no desgaste e na firmeza.
O boxe também se luta em pé, mas a lógica é outra. O nocaute com queda é o caminho mais curto para a vitória, então o ringue precisa amortecer o pugilista que cai e, ao mesmo tempo, dar firmeza para a movimentação entre os corners. Ele é uma plataforma elevada, com estrutura metálica, tablado de madeira, camada de espuma e lona por cima, cercada por cordas.
Para quem só treina, sem receber luta oficial, o boxe pode funcionar sobre piso de academia ou tatame; o ringue certificado entra quando há competição ou quando o espaço quer reproduzir a condição de luta. As medidas oficiais do ringue e as regras de cada modalidade estão no guia de história e regras do judô, wrestling, taekwondo, karatê, boxe, jiu-jitsu e MMA.
3. Lutas de solo: judô, wrestling e jiu-jitsu
Judô, wrestling e jiu-jitsu pontuam a pegada, a projeção, a queda e o controle no chão. Um judoca de competição pode ser arremessado dezenas de vezes num único treino de nage komi. Cada queda descarrega o peso do corpo sobre ombro, quadril e coluna, e é o tatame que decide quanto disso chega às articulações.
O segundo cuidado é a abrasão. Nas lutas de solo o atleta arrasta joelho, cotovelo e rosto pela superfície. Uma lona áspera provoca queimadura por atrito; uma lona escorregadia demais tira a pegada do pé na hora de projetar. Os tatames de competição usam capa vinílica lisa, que resolve os dois lados.
Dentro da família de solo também há diferença. Segundo a página de produto da Recoma, o tatame de judô é de espuma reconstituída de grânulos de poliuretano, a manta de wrestling é de polietileno reticulado em sete camadas e o tatame de jiu-jitsu volta ao poliuretano, com capa de vinil e tratamento antibacteriano. O texto antigo deste blog dizia que os três eram de poliuretano; vale a descrição atual da ficha.
A manta de wrestling tem uma particularidade: segundo a página da Recoma, é mais espessa que o tatame de judô e o de jiu-jitsu, e tem rebote lento, que segura o corpo depois da queda em vez de devolvê-lo. A história dos pisos para lutas conta como essas superfícies saíram da palha de arroz e chegaram à espuma técnica de hoje.
4. MMA e as lutas mistas
O MMA junta as duas famílias. Uma luta pode terminar de pé, por nocaute, ou no chão, por finalização. O piso do octógono precisa então segurar o lutador na trocação e receber a queda na luta agarrada, dentro de uma área cercada por grade.
Segundo a página de produto da Recoma, o octógono que ela fornece é uma gaiola elevada de aço com pintura eletrostática, montada no sistema panel wall sem parafusos e certificada pela IMMAF e pela WMMAF. Academia que treina MMA sem competição costuma usar tatame de solo na área de chão e reservar o octógono para a área de luta.
5. Espessura e sistema por modalidade: o que a ficha da Recoma informa
A espessura é o número que mais aparece nos pedidos de orçamento, e também o mais copiado sem fonte. A tabela abaixo traz só o que está na página de produto da Recoma, lida em 21 de outubro de 2026. Cada federação publica sua própria regra; a referência final, para competição, é sempre o regulamento vigente da entidade.
| Modalidade | Material | Espessura e formato | Certificação citada |
|---|---|---|---|
| Judô | Grânulos de poliuretano reconstituído, capa de vinil, base antiderrapante de látex | Placa de 2 × 1 m com 50 mm, segundo a ficha técnica da Recoma | IJF; oficial da CBJ, segundo a página |
| Wrestling | Polietileno reticulado (XPE) em 7 camadas, capa vinílica | Placas de 60 mm que formam manta de 12 × 12 m, segundo a ficha técnica da Recoma | United World Wrestling (UWW) |
| Jiu-jitsu | Poliuretano de múltipla densidade, capa de vinil | Placa de 2 × 1 m com 40 mm, segundo a ficha técnica da Recoma | IBJJF |
| Taekwondo | XPE de alta densidade | Encaixe ou rolo com 25 mm, segundo a ficha técnica da Recoma | World Taekwondo (WT) |
| Karatê | XPE termoformado, peças bicolores reversíveis | Peça de 1 × 1 m com 20 mm, segundo a ficha técnica da Recoma | World Karate Federation (WKF) |
| Boxe | Ringue elevado: aço, compensado de bétula, espuma e lona | Lateral de 7,80 m e altura de 1 m, segundo a ficha técnica da Recoma | IBA (ex-AIBA), segundo a página |
A lógica da tabela confirma a seção 1: as lutas de solo ficam entre 40 e 60 mm, segundo a própria Recoma, e as lutas em pé entre 20 e 25 mm. A página registra ainda que, para o taekwondo, o tapete absorve até 75% do impacto segundo a norma DIN 7926, e que a área oficial de luta de 8 × 8 m vira um conjunto de 12 × 12 m com a zona de segurança, conforme a ficha.
Para o treino de judô, a página descreve outro arranjo: tatame portátil de poliuretano em forma de rampa, de 40 a 80 mm segundo a ficha, sobre um tablado flutuante fixo de compensado. É a base que o blog antigo chamava de tablado flutuante de madeira Recomaflex Ippon. O dojô ganha uma segunda camada de amortecimento sob o tatame, o que pesa muito para quem cai o dia inteiro. A ficha completa em PDF de cada produto: ficha técnica em PDF · a confirmar (Q10).
6. Impacto, atrito e a longevidade do atleta
Quem treina luta repete o mesmo gesto milhares de vezes por ano. O problema raramente é a queda isolada; é o acúmulo. Um piso que devolve impacto demais transforma cada sessão num pequeno trauma no joelho, no punho e na lombar. Ao longo de uma temporada, isso vira afastamento.
O piso certo deixa o atleta treinar mais e por mais anos. Para o praticante amador, a conta é parecida: aluno que se machuca na segunda semana não renova a matrícula. A relação entre piso, lesão e carreira está no guia sobre pisos esportivos na prevenção de lesões.
Há ainda o lado da higiene. Tatame de solo recebe suor e contato direto com a pele, por isso a ficha do jiu-jitsu cita tratamento antibacteriano e antifungos. A rotina de limpeza e a troca de placas: intervalo de manutenção · a confirmar (Q6).
Para escolas e projetos sociais, a escolha do piso também decide quem fica no esporte. O guia sobre lutas e artes marciais na formação das crianças mostra por que esse público pede um tatame que perdoe o erro de quem está aprendendo a cair.
7. Tatame: preço e o que forma o orçamento
Não existe um preço de tatame que sirva para todos os casos, porque dois pedidos com a mesma área podem pedir sistemas completamente diferentes. Estes fatores mudam o valor:
- A modalidade. Luta de solo pede placa mais espessa, e mais material por metro quadrado.
- O nível de uso. Competição oficial exige o produto certificado pela federação; treino e lazer admitem soluções mais simples.
- O material. Poliuretano reconstituído, polietileno reticulado e EVA comum têm custo e vida útil diferentes.
- A área e o formato. Uma manta inteira de wrestling, um dojô com tablado e um ringue elevado são compras diferentes, mesmo no mesmo prédio.
- A base existente. O tatame de jiu-jitsu, segundo a ficha, exige só contrapiso nivelado; o dojô de judô pode pedir o tablado flutuante por baixo.
- Frete e montagem. Distância da obra e prazo entram no valor final.
Faixa de preço por metro quadrado de cada sistema: preço e prazo · a confirmar (Q7). Enquanto ela não é publicada, a engenharia da Recoma responde com o valor do seu espaço pelo WhatsApp, no fim desta página. Os modelos e as certificações estão na página de superfícies para lutas, que segundo a própria empresa soma mais de 60.000 m² fornecidos.
8. Como especificar o piso de lutas em seis passos
- Liste as modalidades e separe as de pé das de solo.
- Defina o uso: aula, treino de equipe ou competição oficial.
- Meça a área útil e some a zona de segurança que a federação de cada luta exige.
- Decida se as áreas serão fixas ou trocadas conforme a aula.
- Avalie o contrapiso: nivelamento, umidade e se cabe um tablado flutuante.
- Peça a ficha técnica com material, espessura e certificação de cada item.
Com a lista em mãos, o orçamento sai mais rápido e mais comparável. Se o espaço vai receber lutas em pé e de solo ao mesmo tempo, diga isso logo no primeiro contato: é o dado que mais muda a proposta.
Perguntas frequentes
Qual a diferença entre tatame para luta em pé e para luta de solo?
Luta em pé pede tatame mais fino, firme e antiderrapante, para o atleta girar e chutar sem perder a base. Luta de solo pede tatame mais espesso e liso, para amortecer a queda e evitar queimadura por atrito.
Qual a espessura do tatame de judô?
Segundo a ficha técnica da Recoma, o tatame olímpico de judô que ela fornece tem placas de 2 × 1 m com 50 mm. Para competição, vale o regulamento vigente da IJF.
Tatame de EVA serve para judô ou jiu-jitsu?
Para treino de solo intenso, os tatames certificados que a Recoma descreve são de poliuretano ou polietileno reticulado, e a própria página diz que são isentos de EVA. EVA comum costuma aparecer em uso recreativo e infantil.
Quanto custa o tatame olímpico?
Depende da modalidade, da certificação, da área e da base existente. Faixa de preço: a confirmar (Q7). A engenharia da Recoma responde com o valor do seu espaço.
Vai orçar uma área de luta? Fale com a engenharia
Diga a modalidade, a área e o nível de uso. A equipe técnica indica a superfície e responde com a proposta.
Nome, cargo e foto de quem assina: a confirmar (Q2)
Referências
- Recoma. Página de superfícies para lutas (fichas de judô, wrestling, taekwondo, karatê, boxe, jiu-jitsu e MMA), lida em 21 out 2026.
- International Judo Federation (IJF). Sport and Organisation Rules, versão de 14/08/2026 (área de competição). Conferido em 21/10/2026.
- United World Wrestling (UWW). International Wrestling Rules, versão publicada em janeiro de 2026 (área de luta: círculo de 9 m, zona de passividade de 1 m e proteção de 1,5 m). Conferido em 21/10/2026.
- World Taekwondo (WT). Competition Rules and Interpretation, em vigor desde 1º de janeiro de 2026 (área de combate de 8 × 8 m; área de competição de 10 × 10 m a 12 × 12 m). Conferido em 21/10/2026.
- World Karate Federation (WKF). Kumite Competition Rules 2024 e 2026 (área de 8 × 8 m e faixa de segurança de 2 m). Conferido em 21/10/2026.
- International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF). Livro de regras. Edição vigente a conferir.
- DIN 7926. Tapetes de ginástica e lutas: requisitos e ensaios, citada na ficha da Recoma.
- Recoma. Palácio de Lutas em Guarulhos, post publicado em 7 mai 2026 (adaptado do portal Surto Olímpico).